TIMPANOPLASTIA

Princípios e indicações

As perfurações timpânicas podem ser causadas por infecções intensas ou por traumas locais com diminuição da audição em diversos graus, e facilitam a contaminação da orelha média, levando à drenagem de secreção pelo conduto auditivo externo.

A timpanoplastia é a cirurgia realizada para corrigir a perfuração timpânica através do uso de um enxerto feito geralmente de fascia do músculo temporal. Quando existe uma interrupção da cadeia ossicular faz-se esta correção usando também cartilagem, osso ou material sintético, no mesmo tempo cirúrgico ou em segundo tempo.

Trata-se de uma cirurgia exploradora, ou seja, é impossível se prever exatamente quais alterações serão encontradas no ouvido. Portanto, muitas decisões podem e devem ser tomadas durante a cirurgia, sem que seja possível solicitar o consentimento específico para proceder aos tratamentos necessários, como retirada de estruturas, coleta de materiais e enxertos e interposição de próteses para reconstrução da cadeia ossicular.

Procura-se assim tratar o problema crônico de secreção drenando pelo ouvido e a deficiência auditiva, sabendo-se que vários fatores podem impedir que o resultado final seja o esperado e desejado.

Após a cirurgia poderão ocorrer:

INFECÇÃO: infecção no ouvido, com drenagem de secreção, inchaço e dor. Pode ocorrer após a cirurgia, levar à perda do enxerto e exigir nova intervenção cirúrgica para corrigir o problema.

PERDA DA AUDIÇÃO: em pequena parte dos pacientes operados a audição poderá diminuir por problemas cicatriciais. Raramente será severa.

PERFURAÇÃO TIMPÂNICA RESIDUAL OU RECIDIVANTE: em parte dos casos poderá não ocorrer a total pega do enxerto, ou ele poderá necrosar (ser perdido) posteriormente. Neste caso, uma segunda cirurgia é indicada para corrigir este defeito.

ZUMBIDO: pode surgir ou piorar, e é de difícil tratamento.

TONTURA: poderá ocorrer logo após a cirurgia, por irritação das estruturas do ouvido interno. Em alguns casos poderá persistir por uma semana.

DISTÚRBIO DO PALADAR E BOCA SECA: pode ocorrer, e durar por algumas semanas.

HEMATOMA: são raros, e podem exigir drenagem cirúrgica.

PARALISIA FACIAL: é rara e pode ocorrer temporária ou definitivamente, em face da exposição, anormalidade ou edema do nervo, que pode regredir espontaneamente. Em raras ocasiões o nervo poderá ser lesado na cirurgia e, nestes casos, pode ser necessário um enxerto de nervo do pescoço ou da perna. Também pode haver complicações oculares, resultantes dessa paralisia facial.

COMPLICAÇÕES DA ANESTESIA GERAL: complicações anestésicas são muito raras, mas podem ocorrer e ser sérias, e devem ser esclarecidas com o médico anestesiologista.