SEPTOPLASTIA E TURBINECTOMIA

Princípios e indicações

A função do nariz é conduzir o ar, purifica-lo, aquece-lo, umidifica-lo, servir de câmara de ressonância para o som, possibilitar o olfato e iniciar o reflexo naso- alveolar.

No caso de obstrução nasal (nariz entupido) aumenta muito a perda de energia com a respiração, com prejuízo evidente para a saúde e para as funções citadas acima. Esta obstrução nasal pode ter como causa um desvio do septo nasal e/ou aumento (hipertrofia) dos cornetos nasais, dentre outras, e nos casos em que não melhora com tratamento clinico, poderá estar indicada a correção cirúrgica. A septoplastia é indicada quando o desvio septal causa obstrução importante, alterações sinusais (sinusites) e dor de cabeça (cefaléia). Freqüentemente ocorre também hipertrofia dos cornetos nasais e, nesses casos, é também indicada a redução cirúrgica do volume dos cornetos, por turbinectomia ou turbinoplastia.

A hipertrofia isolada dos cornetos nasais também é comum em casos de rinite alérgica, vasomotora e corneto bolhoso e, nesses casos opera-se apenas os cornetos.

Várias são as técnicas e instrumentos que podem ser empregados: convencionais (pinças,bisturis e tesouras) bisturis elétricos, eletrônicos, endoscópios, microscópio e LASER.

Quando o desvio septal surge associado a deformidade de dorso ou ponta nasal, pode ser necessário corrigir simultaneamente a aparência externa para melhorar o funcionamento do nariz, constituindo-se a cirurgia denominada rinosseptoplastia.

Trata-se de uma cirurgia exploradora, ou seja, é impossível prever-se exatamente quais alterações serão encontradas no nariz. Portanto, muitas decisões podem e devem ser tomadas durante a cirurgia, sem que seja possível solicitar o consentimento especifico para proceder aos tratamentos necessários, constituindo os vários fatores que podem impedir que o resultado final seja o esperado e desejado.

Após a cirurgia poderão ocorrer:

Hemorragia: nas primeiras 12 horas e na retirada do tampão nasal (após 48 horas) é comum haver algum sangramento (apesar do tamponamento), possivelmente originado do corneto nasal parcialmente ressecado, e que em geral cede espontaneamente. Sangramentos persistentes e volumosos são raros, mas podem exigir novo tamponamento, ligadura de vasos e até transfusão sanguínea. Morte por hemorragia é muito rara.

Infecção: raramente ocorre, devendo ser controlada com curativos e medicamentos.

Abscesso septal: requer drenagem e pode levar à perfuração septal.

Perfuração septal: é rara podendo necessitar de reparo cirúrgico.

SINÉQUIAS: são aderências que podem ocorrer entre a parede lateral e medial do nariz. São desfeitas com curativos e por vezes exigem outra intervenção cirúrgica.

RECIDIVA DOS DESVIOS: em técnicas muito conservadoras, principalmente em crianças, a cartilagem poderá voltar parcialmente à posição ou forma anterior, por vezes necessitando re-intervenção. Assim, podem ser necessários retoques cirúrgicos em caso de pacientes operados de septo, do dorso e/ou da ponta nasal.

RECIDIVA DA HIPERTROFIA DOS CORNETOS: em casos de rinopatia alérgica intensa, a mucosa remanescente poderá sofrer hipertrofia, raramente necessitando re-operação.

SINUSITE: é uma complicação pós-operatória possível, secundário ao tamponamento nasal, cedendo espontaneamente ou com o uso de antibiótico.

HEMORRAGIA DE FACE, LÁBIO SUPERIOR E PALATO: pode ocorrer em cirurgias nasais mais extensas, e cede em alguns dias.

COMPLICAÇÕES DA ANESTESIA GERAL: complicações anestésicas são muito raras, mas podem ocorrer ser sérias, e devem ser esclarecidas com o anestesiologista.