MASTOIDECTOMIA

Princípios e indicações

A timpanoplastia é a cirurgia realizada para corrigir uma perfuração timpânica através do uso de um enxerto feito geralmente de fáscia do músculo temporal. Quando existe uma interrupção da cadeia ossicular, faz-se esta correção usando-se cartilagem, osso ou material sintético, no mesmo tempo cirúrgico ou em segundo tempo. Procura-se assim tratar o problema crônico e o déficit auditivo.

Quando há colesteatoma (neoplastia epitelial benigna de característica destrutiva), a cirurgia é mais extensa, necessitando revisão alguns meses após para detectar uma eventual recidiva do colesteatoma que pode ser mais invasivo. Assim, em determinados casos realiza-se a mastoidectomia radical, com a derrubada de parede posterior do conduto auditivo externo e o alargamento do conduto. Neste caso, durante meses ou anos, existirá ainda secreção no ouvido, necessitando curativos e cauterizações e, mais raramente, outra cirurgia.

Trata-se de uma cirurgia exploradora, ou seja, é impossível se prever exatamente quais alterações serão encontradas no ouvido. Portanto, muitas decisões podem e devem ser tomadas durante a cirurgia, sem que seja possível solicitar o consentimento específico para proceder aos tratamentos necessários, como retirada de estruturas, colheita de materiais e enxertos e interposição de próteses para reconstrução da cadeia ossicular, o que pode impedir que o resultado final seja o esperado o desejado.

Após a cirurgia poderão ocorrer:

INFECÇÃO:  infecção no ouvido, com drenagem de secreção, inchaço e dor, pode persistir após a cirurgia ou, em raras ocasiões, aparecer por alterações cicatriciais. Quando isto ocorre, uma cirurgia adicional pode ser necessária para controlar a infecção.

PERDA DA AUDIÇÃO: em pequena parte dos pacientes operados a audição poderá diminuir por problemas cicatriciais. Raramente esta perda poderá ser severa

PERFURAÇÃO TIMPÂNICA RESIDUAL OU RECIDIVANTE: em parte dos casos poderá não ocorrer a tal pega do enxerto, ou ele poderá necrosar (ser perdido) posteriormente. Nesse caso, uma segunda cirurgia é indicada para corrigir este defeito.

ZUMBIDO: pode surgir ou piorar, e é de difícil tratamento.

TONTURA: poderá ocorrer logo após a cirurgia, por irritação das estruturas do ouvido interno. Em alguns casos poderá persistir por uma semana.

DISTÚRBIO DO PALADAR E BOCA SECA: não é raro ocorrer, por semanas após a cirurgia. Em alguns casos este distúrbio poderá ser prolongado pelo manuseio ou secção do nervo corda do tímpano, havendo em geral compensação gradual.

PARALISTA FACIAL: é rara e pode ocorrer temporária ou definitivamente, em face da exposição, anormalidade ou edema do nervo, que pode regredir espontaneamente. Em raras ocasiões o nervo poderá ser lesado na cirurgia e, neste caso, pode ser necessário um enxerto de nervo do pescoço ou da perna. Também pode haver complicações oculares, resultantes dessa paralisia facial.

HEMATOMA: por vezes se forma hematoma, que pode exigir drenagem cirúrgica.

FÍSTULA LIQUÓRICA: na cirurgia da mastóide poderá ocorrer fístula liquórica, podendo a correção ser feita no mesmo ou em outro ato cirúrgico.

COMPLICAÇÕES CRANIANAS: mesmo nas mastoidectomias mais alargadas é raro ocorrer meningite ou abscesso cerebral.

COMPLICAÇÕES DA ANESTESIA GERAL: complicações anestésicas são muito raras, mas podem ocorrer e ser sérias e, devem ser esclarecidas com o médico anestesiologista.