ESTAPEDOTOMIA

Princípios e indicações

Otosclerose ou otospongiose é uma doença hereditária, caracterizada por surdez gradual (disacusia condutiva progressiva), manifestando-se geralmente em torno dos 20 anos, sendo muito mais comuns em mulheres.

Caracteriza-se pela formação de uma calcificação na platina do estribo, provocando a sua fixação com redução da vibração do estribo e consequentemente diminuição da condução do som. O nervo auditivo e a cóclea (órgão da audição) são normais (exceto na otosclerose coclear): o som é que não é conduzido até a cóclea com intensidade satisfatória.

O tratamento clinico, raramente indicado, serve apenas para impedir o agravamento do caso. Portanto, o tratamento ideal é a cirurgia, chamada de Estapedotomia, onde o estribo atingido é substituído por uma prótese fixada em torno da bigorna e entra no labirinto através de pequena perfuração feita na platina do estribo, restaurando-se assim a mobilidade da cadeia de ossos do ouvido.

Trata-se de uma cirurgia exploradora, ou seja, é impossível se prever exatamente quais alterações serão encontradas no ouvido. Portanto muitas decisões podem e devem ser tomadas durante a cirurgia, sem que seja possível solicitar o consentimento especifico para proceder aos tratamentos necessários, que podem impedir que o resultado final seja o esperado e desejado.

Após a cirurgia poderão ocorrer:

TONTURA: é comum nos primeiros dias de pós-operatório, raramente prolongando-se por mais de uma semana.

DISTÚRBIO DO PALADAR E BOCA SECA: não é raro ocorrer, por semanas após a cirurgia. Em alguns casos este distúrbio poderá ser prolongado pelo manuseio ou secção do nervo corda de tímpano, havendo em geral gradual compensação.

PERDA DA AUDIÇÃO: a redução ou perda de audição, após uma estapedotomia ocorre, de acordo com a literatura mundial, em 2 a 3% dos casos devido a vários fatores, entre os quais a fibrose cicatricial, espasmo de vasos sanguíneos, irritação do ouvido interno. Em outros 3 a 5% dos casos poderá não haver melhora e a audição manter-se inalterada.

ZUMBIDOS: o comum é diminuir ou desaparecer após a cirurgia. Em raros casos poderá piorar ou até surgir.

PERFURAÇÃO TIMPÂNICA: poderá ocorrer em alguns casos devido à infecção ou trauma. Geralmente fecha-se espontaneamente ou através de outra cirurgia (timpanoplastia).

PARALISIA FACIAL: é uma complicação rara e temporária. Poderá ocorrer como resultado de exposição, anormalidade ou edema do nervo facial. A paralisia definitiva nesta cirurgia é muito rara.

COMPLICAÇÕES DA ANESTESIA GERAL: complicações anestésicas são muito raras, mas podem ocorrer e ser serias, e devem ser esclarecidas com o médico anestesiologista.