COLOCAÇÃO DE TUBO DE VENTILAÇÃO

Princípios e indicações

Está indicada a colocação de tubos de ventilação (carretéis) quando persiste, apesar do tratamento clínico, quadro de diminuição de audição pela presença de líquido no ouvido médio, com ou sem retração timpânica, relacionada á possível disfunção da tuba auditiva (trompa de Eustáquio), podendo determinar perda parcial de audição, sensação de plenitude (ouvido cheio), e mais raramente zumbidos (zueira) ou vertigem (tontura).

O dreno comum é eliminado espontaneamente, geralmente entre 6 a 12 meses, mas existe um dreno de longa permanência (raramente usado), que permanece por mais tempo. Durante todo o período em que o paciente permanecer com o dreno, deve-se evitar a entrada de água no canal auditivo (não molhar o ouvido). Mesmo após essa cirurgia os sintomas auditivos podem persistir ou retornar, e exigir nova cirurgia.

Após a cirurgia poderão ocorrer:

FEBRE E DOR: febre e dor referente na área do ouvido ocorrem normalmente, podem ser intensas, passam em 3 a 10 dias, e devem ser tratadas com medicamentos.

VÔMITOS: podem ocorrer algumas vezes, no dia da cirurgia, constituídos de sangue.

HEMORRAGIA: representa o maior risco desta cirurgia, podendo ocorrer até 14 dias após o ato cirúrgico, sendo mais freqüente em menor volume e, mais raramente, em maior volume, podendo levar até à reintervenção cirúrgica sob anestesia geral e transfusão sanguínea. A morte por hemorragia é uma complicação extremamente rara.

INFECÇÃO: pode ocorrer na região operada, causada por bactérias habituais da faringe e geralmente regride sem antibióticos.

RECIDIVA: O retorno do acúmulo de líquido sero-mucoso no ouvido médico é possível de ocorrer e pode exigir nova intervenção cirúrgica.

SECREÇÃO PURULENTA NO OUVIDO: poderá ocorrer pela entrada de água no ouvido ou após gripe e resfriados, sendo o tratamento feito com limpeza por aspirações e antibióticos.

PERMANÊNCIA DE PERFURAÇÃO TIMPÂNICA: após a saída do dreno de ventilação poderá permanecer uma perfuração no tímpano. Isto é raro e trata-se com cirurgia (timpanoplastia). A implantação do tecido epitelial para dentro do ouvido médico originando um colesteatoma é rara, mas pode ocorrer.

PERDA AUDITIVA: a perda auditiva causada pelo trauma sonoro do aspirador é rara.

COMPLICAÇÕES DA ANESTESIA GERAL: complicações são muito raras, mas podem ocorrer e ser sérias, e devem ser esclarecidas com o anestesiologista.