ADENOIDECTOMIA

Princípios e indicações

As vegetações adenóides são órgãos imunologicamente ativos que reforçam a imunidade da mucosa de todo o trato aero-digestivo superior. Situam-se na parte alta da parede posterior da faringe, atrás das cavidades nasais, e sua função pode estar comprometida por hipertrofia (aumento) exagerada ou infecções repetidas.

As adenóides normalmente crescem até os 5 anos, depois regridem lentamente até os 14 a 20 anos, raramente resistindo hipertrofia após esta idade.

As indicações cirúrgicas são absolutas em casos de obstrução grave para vias aeríferas, com respiração bucal permanente e prejuízo da oxigenação, podendo evoluir para a síndrome da apneia obstrutiva do sono (parada respiratória de 10 a 15 segundos ou mais), cor-pulmonale (dilatação das câmaras direitas do coração pelo esforço respiratório) e até parada cardio-respiratória.

As indicações cirúrgicas são relativas em crianças com otites medias de repetição, sinusites de repetição, otite média secretora, geralmente com redução da audição, e nas deformidades orofaciais (que existam ou que tendam a ocorrer para sua prevenção).

Após a cirurgia poderão ocorrer:

FEBRE E DOR: febre e dores de garganta muito acentuadas (exigindo analgésicos potentes) dor referida na área do ouvido ocorrem normalmente, e cedem em 10 a 20 dias.

MAU-HÁLITO: é comum ocorrer, e cede entre 10 e 20 dias.

VÔMITOS: podem ocorrer algumas vezes, no dia da cirurgia, constituídos de sangue.

HEMORRAGIAS: representa o maior risco desta cirurgia, podendo ocorrer até 10 dias do ato cirúrgico, sendo mais frequente em menor volume e, mais raramente, em maior volume, podendo levar até a re-intervenção cirúrgica sob anestesia geral. Casos graves podem exigir a realização de traqueotomia.

INFECÇÃO: pode ocorrer na região operada, causada por bactérias habituais da faringe e, geralmente, regride com antibióticos.

VOZ ANASALADA E REFLUXO NASAL DE LÍQUIDOS: podem ocorrer nos primeiros dias ou semanas, desaparecendo espontaneamente.

RECIDIVA: é possível, quando mais jovem ou alérgica for a criança, podendo ser necessária re-intervenção.

COMPLICAÇÕES DA ANESTESIA GERAL: complicações anestésicas são muito raras, mas podem ocorrer e ser serias, e devem ser esclarecidas com o médico anestesiologista.